DO PASSADO AO PRESENTE, A RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DAS ÁGUAS DEVE SER PRIORIDADE

A implantação das microbacias executadas, seguido do sistema de plantio direto, teve exito, e foi possível conter a erosão do solo em meio as lavouras, somado ao projeto complementar de adequação das estradas vicinais implementado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária – SEAB em parceria com as Prefeituras Municipais, foi possível conter o volume de solo erodido pelas águas das chuvas.

Na década de 80, um dos maiores Programas de Conservação de solo e água já vistos foi implementado no Estado do Paraná, um Programa de Politica Publica de Estado, que se estendeu no decorrer dos anos 90, e tinha o objetivo de controlar a erosão e recuperar a capacidade hídrica e a fertilidade do solo.

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Passados mais de trinta anos do inicio do Programa de Conservação de solo e água, o Governo do Estado do Paraná retoma os trabalhos do Programa de Microbacias neste ano de 2014, e já vem implantando novas unidades demonstrativas em determinadas comunidades. Paralelo a este trabalho, o governo lança o concurso público para contratação de novos profissionais da área agronômica para recompor o quadro de funcionários da EMATER, os quais certamente terão muito trabalho pela frente, porque do que foi feito no passado, em muitos casos, vai ser necessário refazer todo trabalho, porque devido a irresponsabilidade de certos governantes, não foi feito os investimentos na manutenção das praticas conservacionistas, agora vimos que parte do que foi realizado, descambou água abaixo…

A integração das praticas de conservação de solo em microbacias, além de garantir o acesso as propriedades rurais e o escoamento das safras com a adequação do sistema viário, conteve a erosão do leito das estradas vicinais e a água das chuvas que formavam canais escoadouro de sedimentos para o leito dos córregos e ribeirões, aterrando nascentes de água e assoreando o leito dos rios, tudo isso havia sido controlado….

ESTRADAS VICIANIS - MICROBACIAS 005

Para reverter o processo de erosão, na época, toda equipe técnica da ACARPA/Emater Paraná foram a campo, em um grande mutirão de ações com a participação das prefeituras municipais, se iniciou o trabalho de conscientização de produtores e lideranças rurais, e em pouco tempo foi possível mudar o ciclo de degradação, para recuperação e conservação do solo e das águas…

Os investimentos feitos na adequação das estradas proporcionou inúmeros benefícios econômicos e ambientais, no entanto o trafego continuo de maquinas e caminhões ano após ano, provocam a degradação do leito das estradas, e ao longo do tempo compromete o sistema de contenção da água das chuvas.

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Os serviços e as operações de conservação do sistema de contenção das águas das estradas deveria e deve ser uma pratica constante a ser realizado pelas prefeituras municipais… É um investimento de custeio necessário na manutenção, para que as águas das chuvas sejam direcionada e armazenada ao longo do sistema de terraceamento que integra as microbacia, evitando assim a erosão do solo…

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A realização da manutenção da contenção de água das estradas é simples e de baixo custo financeiro se comparado com os custos de recuperação de uma estrada danificada pelas águas das chuvas que não foram adequadas, ou que não tiveram a manutenção necessária ao longo do tempo para evitar que a água da chuvas venham a provocar a erosão do solo ladeira abaixo…

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Muitas das administrações municipais deixam de priorizar os serviços de manutenção do sistema de contenção das águas ao longo das estradas, isto já é visível em muitos trechos, e neste caso os fatores que provocam erosão se agravam, e aí, bem, aí de duas uma, ou o produtor rural tem um bom sistema de terraceamento em sua propriedade para conter as águas que escoam das estradas….

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ou então vai ver em meio a sua lavoura sinais de erosão conforme pudemos observar nas imagens…

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Com a integração de todas as praticas de conservação de solo e água foi possível reestruturar a camada de matéria orgânica e a absorção de água no solo… A maior absorção de água no solo em meio as lavouras proporcionou certa garantia de controle da erosão e levou muitos dos produtores rurais a abandonar a manutenção do sistema de terraceamento, e nesta falta de manutenção do sistema de contenção das águas em meio as lavouras, somado à chamada “TECNOLOGIA DE PRECISÃO” os fatores que provocam a erosão estão se agravando… Sim, é a chamada tecnologia de precisão um dos agravantes ao sistema de conservação do solo e contenção da erosão, uma vez que os produtores rurais deixaram de realizar a pratica de pulverização seguindo o traçado das curvas de níveis, e passam a realizar as pulverizações dos defensivos em talhões milimetricamente definido pelo GPS…

Esta pratica de operação, desrespeitando o sistema de operações acompanhando o nível do terreno, tem proporcionado agilidade e economia de tempo nas aplicações, além de evitar o remonte de defensivo nas plantas. Porém esta “tecnologia de precisão” recomendado para as terras planas, em terrenos com certa declividade e sem  um sistema de terraceamento adequado, o traçado das operações definidas em GPS quando realizadas em terras com declive seguindo sempre o mesmo alinhamento, além de provocar compactação do solo, forma também os sulcos que canalizam maior volume de água e acabam provocando erosão do solo em meio as áreas de cultivo…

colheita 2011 003Em nome da TECNOLOGIA DE PRECISÃO, muitos técnicos da classe agronomica, sejam da iniciativa privada ou mesmo das estatais, inclusive contratados para fiscalizar, tem feito vista grossa para o problema… e sem um alerta e/ou uma restrição a esta pratica de operação, levam os produtores rurais mais aludidos com os resultados imediatos de economia de tempo e praticidade na aplicação dos defensivos, a fazer uso desta prática, no entanto, com o tempo acabam sofrendo consequências desastrosas, ao se deparar com sinais visíveis da erosão que degradam o solo em meio as áreas de plantio, por fim tudo que parecia economia, obriga o produtor rural a realizar altos investimentos na recuperação do sistema de terraceamento e na correção do solo para recompor a fertilidade e recuperar a estrutura e a capacidade hídrica do solo…

A falta de manutenção das estradas vicinais por parte das administrações de muitos municípios, somado ao desleixo de muitos produtores, e principalmente a falta de fiscalização e de programas de apoio no custeio de manutenção do sistema viário por parte dos Governos Estaduais e Federais, no que diz respeito ao subsidio de recurso para os municípios, hoje, mesmo onde os produtores rurais já realizaram a recomposição das matas ciliares, é comum observarmos rios e ribeirões com as águas barrentas após qualquer ocorrência de chuvas… Imagens que já não eram mais vistas no passado, voltaram a ser constante…

CONSERVAÇÃO DE SOLO E AGUA 009Todo dia 5 de junho de cada ano comemoramos o dia internacional do meio ambiente…instituído há trinta anos pela ONU, diante das imagens acima parece que ainda falta muito para conseguirmos conquistar a consciência plena de todos os produtores e governantes em relação a importância da conservação do solo e das águas.

Por Valdir Edemar Fries – Produtor rural em Itambé, Pr.

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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