PORQUE NÃO DEVEMOS NOS PREOCUPAR COM OS PREÇOS DE COMMODITIES MENOS REMUNERADOR SENHOR MINISTRO NERI GELLER???

Realmente é um ABSURDO o que disse o MINISTRO DA AGRICULTURA no dia 15/09/14 ao afirmar que “o produtor não deve se “preocupar” com os preços menos remunerador de algumas commodities” … Conforme divulgado EM MATÉRIA NO RURALBR.COM.BR).

Pois bem…

O produtor rural tem impulsionado toda cadeia do AGRONEGÓCIO BRASILEIRO…

O trabalho árduo do dia a dia tem deixado de ser uma preocupação para grande maioria dos produtores rurais, independentemente da sua classificação “oficial”…

É certo que muitas atividades do setor rural ainda despende mais de mão de obra que outras… Mas de um modo geral a TECNOLOGIA aplicada na mecanização e também a tecnologia digital, eletro e eletrônica tem auxiliando em muito os produtores rurais a produzir cada vez mais,  e consequentemente tem diminuído o uso do tempo de cada produtor em coisas corriqueiras de serviços no interior da propriedade rural.

Os principais produtos de exportação fazem parte do mercado de commodities a nível mundial… Muito do que plantamos já pode ser comercializado com antecedência, o que nos permite programar e garantir ao menos os custos do que investimos nas lavouras… O mercado não para… Globalizado, os preços a nível mundial podem oscilar a cada minuto das 24 horas do dia…

No passado, o produtor se preocupava o ano inteiro com os serviços da roça, e quando precisava, mesmo sem muito planejamento corria vender e cobrir suas contas… Com o tempo o produtor se viu obrigado a planejar sua atividade…

Com o uso da tecnologia, desde o plantio, o manejo da lavoura até a colheita, requerem poucos dias com horas trabalhada durante o ano, e a depender da região, são uma, duas e até três safras ano… É mais plantio, mais colheita e menos trabalho braçal, porém não quer dizer que os produtores rurais podem cruzar os braços quando não estão ocupados com os serviço  a campo…

Ao contrário… É buscando informações a cada minuto que nos permite melhorar o planejamento da nova cultura a ser plantada, é a informação de mercado que nos permite saber a melhor hora de comprar os insumos… Mas é na hora de definir a venda do que produzimos que mais nos preocupamos

O preço de mercado não é mais definido pelo armazém da vila, mas pelas bolsas de mercado futuro que ditam os valores… A oscilação de preço no mercado de commodities nos preocupa sim… Não podemos deixar de nos preocupar Excelentíssimo Sr.  MINISTRO NERI GELLER… Este é o nosso negócio.

Saliento a Vossa Excelência que sempre acreditamos que o Brasil seria a “bola da vez para suprir a demanda mundial por alimento” … foi pensando nisso que superamos tantas crises do setor e continuamos sempre a acreditar, e produzir…

Na qualidade de Ministro muito nos admira sua posição ao dizer que “o produtor NÃO deve se preocupar diante dos preços menos remunerador de algumas commodities”… Como não devemos nos preocupar senhor Ministro???

O mercado muitas vezes mesmo estagnados nos garantem renda, outras, dependendo do patamar dos preços sofremos prejuízos, mas é ao longo do ano, com a preocupação voltada à cotação das commodities que podemos decidir a melhor hora para negocia nossa safra… e preocupados com as commodities no dia a dia, mesmo que “menos remuneradores” podem ser um bom negocio diante das perspectivas dos preços num futuro próximo.

Não é fácil para o produtor rural assimilar… São muitos os institutos/companhias que realizam e divulgam relatórios de  previsão de safras ao redor do mundo… Muitos são os grupos econômicos que participam e tornam o mercado de commodities agrícola cada vez mais especulativo…

Todo este complexo de participação de mercado,  fica cada vez mais difícil para o produtor rural tomar uma decisão e garantir renda diante dos custos de produção… a cada “preços menos remuneradores”… Menos remunerador hoje, aumentam ainda mais a nossa preocupação porque podem ser comprometedor no amanhã.

A complexidade do Mercado leva o produtor a buscar orientação de mercado,  são muitos os analistas para dar sua opinião… São muitos os profissionais na área, são muitas as opiniões divulgadas a cada oscilação de preço, porém é ao produtor rural que cabe a decisão final de vende ou não vende…

Se não nos preocupássemos com as oscilações no mercado de commodities do que estamos produzindo Sr. Ministro, não saberíamos a melhor hora de vender…

De outro lado, devemos ter cuidado ao fazer a leitura do mercado, a pouco tempo atrás, um dos mais renomados analista de mercado a nível de Brasil, que tem andado pelo País com suas palestras, concedendo entrevistas na mídia, o Sr. LIONES SEVERO, dizia que o mercado iria reagir no inicio do segundo semestre, que a demanda era forte, que a China precisa do soja Brasileiro…( CONFIRA AQUI UMA DAS PALESTRAS DE LIONES SEVERO)…  O tempo passou, seus fundamentos não se concretizaram num curto prazo, e muitos que buscaram apoio do PLANO SAFRA, não venderam na época, …Lembrando que na mesma época em que se anunciava melhores preço da commodities, o soja no Noroeste do Paraná chegou a ser comercializado no mercado físico em torno de R$ 66,00 a saca… Já o contrato a futuro safra 14/15 (contrato a termo) a R$ 60,00 a saca… ruim na mesma época??? pior hoje para quem deixou de se preocupar com os valores na época… Quem vendeu (contratou) parte do que deve produzir a R$ 60,00/sc ???

Cada um tem seu compromisso assumido para a próxima safra, cada produtor sabe o que investiu, sabe o que deve e/ou que precisa recuperar, cabe a cada um se preocupar cada vez mais com o mercado de commodities, para poder decidir em fazer o melhor negocio e assim compensar os custos e garantir a sua renda… Hoje  (16/09/14) o mercado voltou a comprar e tivemos no Paraná contrato futuro a R$ 50,00 a saca, pouco remunerador, mas ainda compensador… O que fazer diante dos atuais preços…

Diante da leitura do mercado mal interpretada em relação ao andamento das safras e da demanda, muitos deixam de realizar seus negócios… com o pronunciamento do Sr Ministro e ou de certos analistas de mercado, muitos deixam de vender e ficam na esperança de melhores preços, que ao longo do tempo não se concretizaram…

Pior para quem buscou os recursos do PLANO SAFRA 13/14… Com o vencimento das cédulas do crédito rural e um mercado pouco remunerador… O que fazer agora… Cruzar os braços e aguardar o que Sr Ministro ???

De duas uma… Ou o governo garante preço minimo com garantia de renda e recursos para a comercialização das safras… Ou o Ministro da Agricultura, Pecuária e abastecimento muda o Discurso…

Por Valdir Edemar Fries – Produtor rural de Itambé – Pr.

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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