MAIS UM ANO SAFRA DE BOAS ESTIMATIVAS DE PRODUÇÃO, SEM MUITAS EXPECTATIVAS DE MERCADO.

 

SAM_3701Pelas perspectivas, o Brasil deve colher mais uma boa safra de milho, nesta nova “safrinha” de 2015, e somado aos números dos resultados obtidos nos cultivos de verão safra 14/15, o Governo já propaga e comemora a estimativa de super safra.

De um modo geral, a nível nacional, os resultados de produtividade foram satisfatório, de outro, a questão de preço pago ao produtor rural, tiveram queda acentuada, pegando muitos produtores no contra-pé… Deixando inclusive analistas de mercado sem resposta, principalmente se falando do mercado de soja.

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Sabemos que por mais bem estruturado que for o produtor rural, o custeio da implantação e manejo das lavouras, requer um capital de giro bastante alto devido aos custos de produção, que a cada ano tem demandado por um volume ainda maior de recursos…

O aumento do custo de produção obriga o produtor rural a vender grande parte do produto dentro do prazo de um ano… Sendo assim, de nada vai adiantar analistas de mercado apontar expectativas de bons preços, se estes preços só vão chegar após a hora da “morte”…

Ou seja, de nada adianta ter perspectivas de melhores preços para daqui um ano, se o produtor rural precisa vender dentro de seis meses.

Entre o vender, e o não vender, entre ganhar, e deixar de perder, na maior parte dos casos, é melhor deixar de ganhar, para evitar de perder… E este foi o contra-pé de todo o mercado de commodities de soja e milho nos últimos tempos.

O aumento dos preços em razão do aumento da demanda de soja e milho, não se confirmou… No período de um ano que se passou, (maio 2014 a maio de 2015), a demanda permaneceu aquecida, no entanto foi abastecida com os bons resultados da produção obtida, tanto no Brasil, como dos Estados Unidos.

Muitas vezes, o melhor que temos a fazer é olhar pelo retrovisor… antes que chegue a curva… Hoje, pelas curvas dos gráficos, não conseguimos ver grandes oscilações de preços, (exceto ocorra frustração de safra)… Não ocorrendo imprevistos na safra americana, não vimos fundamentos ao ponto de gerar expectativa da soja chegar a valores próximo aos 14 dólar por bushel, e ou chegar a ser comercializado no mercado interno a R$ 66,00 nem mesmo o milho ser comercializado no patamar de 5,0 a 7,0 dólar/bushel, e ou mercado interno de R$ 26,50 por saca… Valores  estes que foram pago aos produtores rurais em determinadas praças de mercado a menos de um ano, sendo que muitos deixaram de vender, ao ouvir certos analistas de mercado que mesmo os preços que se encontravam em patamares satisfatórios, fundamentavam argumentos de melhoria dos preços e pediam para que o produtor segurasse suas vendas.

Não podemos ser pessimistas a altura de acreditar em catástrofe de preço das commodities, até porque a demanda sempre foi e sempre será crescente diante de uma população mundial que aumenta a cada dia, mesmo assim sempre haverá um limite de preços a ser ditado pelo mercado.

Para o ano de 2015 e 2016, com os custos de produção nas alturas, as coisas se complicam ainda mais, até porque não será apenas a demanda de consumo, os estoques e a produção estimada que ira ditar o mercado para os produtores rurais Brasileiros… Os rumos da economia Brasileira, que encontra-se a beira do caos, deve ser fator principal na definição do mercado interno, até porque, a depender dos ajustes fiscais, não sabemos a que pé o valor do dólar vai oscilar.

Nestas alturas, para quem já adquiriu os insumos para a próxima safra 15/16, sem maiores alternativas de fluxo de caixa para o custeio da produção (para se garantir), buscou o mercado futuro, travando preços de uma ou de outra forma…  Quem vendeu pode deixar de ganhar, mas já tem a certeza… Evitou de perder.

Por Valdir Edemar Fries

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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