QUEM VAI PAGAR A CONTA, QUEM SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA DISSEMINAÇÃO DAS PRAGAS E PELAS INVASORAS DE MILHO VTPRO2 EM MEIO A LAVOURA DE SOJA?

A inovação tecnológica tem revolucionado o sistema de produção agropecuária, e uma das tecnologias que tem contribuído em muito para a redução dos custos e a garantia da produção de milho, sem duvida nenhuma é o milho geneticamente modificado com o gene Bt, que traz em seus tecidos uma toxina (proteína), que tem atividade principal combater as lagartas, em especial a lagarta do cartucho “Spodoptera fugiperda”.

Ainda em 2008, quando do lançamento da tecnologia Bt, a EMBRAPA realizou muitos acompanhamentos técnicos, e boletins informativos foram divulgados em relação a tecnologia (http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPMS-2009-09/21383/1/Com_157.pdf), onde se demonstra inúmeros benefícios técnicos e comprovam os bons resultados econômicos e ambientais da tecnologia Bt.

A  lagarta do cartucho sempre foi, e ao que vimos hoje, pode continuar sendo uma das pragas mais ameaçadoras, até porque sua proliferação em meio ao cultivo de milho aumenta significativamente os custos de produção, e nem sempre se obtém um controle adequado, o que incide em perdas de produção.

Desde o seu lançamento da tecnologia Bt, particularmente sempre fiz uso das cultivares com a tecnologia Bt, e no decorrer de todo estes anos, ainda, em nenhum momento fiz uso de inseticidas nas lavouras de milho safrinha implantadas em Itambé, Estado do Paraná. Embora tenha ocorrido a incidência da praga a tecnologia deu conta de seu controle, sem qualquer perdas.

No entanto, o que temos observado a partir de 2013 é um aumento do ataque da lagarta do cartucho, que em certos casos, muitos dos agricultores do município e região, por precaução, acabaram realizando a aplicação de inseticidas nas lavouras de milho safrinha nestes últimos dois, três anos, com o objetivo de controlar justamente a lagarta do cartucho.

Embora a detentora da tecnologia, e também e a própria EMBRAPA tem recomendado áreas de refugio quando se usa da tecnologia Bt, com objetivo de precaução e preservação da tecnologia Bt, pouco ou nada tem sido realizado para se combater a chamada ponte verde das plantas de milho, plantas estas que proporcionam condições de proliferação das pragas entre uma safra e outra, o que vem acontecendo principalmente após o lançamento da tecnologia VTPRO2.

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Se tratando da cultura da soja o Marketing e o lobby das empresas para se combater o cultivo da soja safrinha tem ganhado espaço, e as Instituições de pesquisa e o poderio público tem imposto regras que determinam o vazio sanitário, como também a proibição do cultivo de soja sobre soja conforme acontece no Estado do Paraná através da portaria 193 link : http://www.adapar.pr.gov.br/arquivos/File/GABINETE/PORTARIAS/2015/193_15__1.pdf

A chamada ponte verde para as pragas do milho vem ocorrendo principalmente nas regiões Brasileiras onde se cultiva o milho safrinha, devido ao cultivo dos milhos com a tecnologia VTPRO 2 (milhos resistentes a glifosato).

A tecnologia VTPRO2 exige do produtor rural que usa da tecnologia, a aplicação de herbicidas específicos para o controle das plantas de milho que nascem no pós colheita e em meio as lavouras de soja. Mesmo na entre safra, ocasião em que se realiza a dessecação das plantas daninhas, produtores rurais que usam da tecnologia se submetem a novos custos para combater as plantas do milho VTPRO2….

Para os produtores rurais que cultivam as lavouras de milho com a tecnologia de milho VTPRO2, estes estão cientes do aumento dos custos, e o fazem de forma consciente sabendo do que estão fazendo, e dos custos que terão de arcar quando do controle das plantas de milho invasoras em meio as lavouras de soja.

Nos caso específicos dos produtores que não fazem uso da tecnologia VTPRO2, estes produtores vem sofrendo as consequências, todos sabem que o sistema de polinização da cultura de milho se diferencia de outras plantas que precisam da interferência de determinados insetos (feito principalmente pelas abelhas), uma vez que o pólen da planta do milho é disseminado pelo vento e podem atingir distancias quilométricas entre uma lavoura e outra.

Particularmente nunca optei por cultivar milho VTPRO2, mas tenho me dedicado incisivamente nesta questão dado ao grande risco de perdas da tecnologia Bt, tecnologia que tantos benefícios  nos tem proporcionado, economicamente e ambientalmente.

Não cultivo milho VTPRO2, e ao que pode-se observar na imagem a acima, a lavoura de soja, mesmo após o controle das ervas daninhas feito com glifosato, a lavoura encontra-se infestada com plantas de milho. Neste caso… Quem deve ser responsabilizado a pagar pela eliminação desta erva daninha de laboratório?

Uma PRAGA de laboratório SIM, porque estas plantas de milho não foram por mim adquiridas, não foram plantadas em minha lavoura, e no entanto estão aí infestando a lavoura de soja, ou seja, concorrendo com as plantas de soja, e pior, proporcionando a ponte verde para a lagarta do cartucho (Spodoptera fugiperda), condições para a praga se disseminar, criar resistência e colocar em risco toda tecnologia Bt.

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QUEM DEVE SER RESPONSABILIZADO PELA PROLIFERAÇÃO DA LAGARTA DO CARTUCHO (Spodoptera fugiperda) EM PLANTAS DE MILHO INVASORAS???

QUEM DEVE PAGAR PELO CONTROLE DAS PLANTAS DE MILHO VTPRO2 (PRAGA DE LABORATÓRIO) QUE ESTA INFESTANDO AS LAVOURAS DE SOJA RR???

Muito tenho acompanhado, muito temos debatido:

http://www.noticiasagricolas.com.br/artigos/artigos-geral/132465-grande-risco-de-perda-do-potencial-da-tecnologia-bt–com-o-cultivo-do-milho-vt-pro2-seguido-de-soja-rr.html#.VjiaMLerTct

http://www.noticiasagricolas.com.br/artigos/artigos-principais/148313-a-tecnologia-do-milho-vt-pro-2-garante-ponte-verde-e-coloca-em-risco-o-cultivo-do-milho-safrinha.html#.VjiYmLerTcs

Fica aí estes questionamentos para a Detentora da Tecnologia VTPRO2. Fica aí o questionamento para Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento juntamente com todos os responsáveis pela liberação da tecnologia VTPRO2. Fica aí todo acompanhamento e todo questionamento para a EMBRAPA analisar e se pronunciar.

Por Valdir Edemar Fries – Produtor rural em Itambé – Pr.

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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