ESTAMOS PLANTANDO SEMENTES DE MILHO COM PADRÃO DE GRÃOS DE PIPOCA.

Desde a era da pedra, nossos antepassados selecionavam as melhores sementes para o plantio, a exemplo do milho, desde índios, quilombolas e colonos que habitavam este mundão de meu Deus, já sabiam que semente tem que ser SELECIONADA E CLASSIFICAS. Nossos antepassados, já na lavoura, selecionavam as melhores espigas a serem destinadas para sementes a serem salvas e utilizadas nos próximos plantios.
Armazenadas separadamente, na entressafra a família se reunia para CLASSIFICAR as sementes, pois sabiam que sementes de tamanho irregular não lhes garantia regularidade de números de plantas por cova, nem mesmo com as velhas matracas (maquinas manuais de plantio).

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Todo este conhecimento de SELECIONAR E CLASSIFICAR sementes, nós produtores rurais aprendemos na nossa formação, todos nós aprendemos que para melhor classificar as sementes de milho de uma espiga, devemos descartar os grãos dos ponteiros, uma vez que em ambas as extremidades das espigas seus grãos são de tamanho muito irregular.

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O descarte das sementes das partes extrema era certa, estes grãos eram destinados ao alimento dos animais,  e tão somente a parte de meio das espigas onde se tem um padrão de milho com os grãos mais uniforme é que eram utilizadas como semente.

Os grãos de tamanho uniforme, selecionados, é fator principal para o produtor rural garantir um stand de plantas adequado em suas lavouras de milho. O stand de plantas dentro do recomendado (60.000 plantas por hectare) nos garante na lavoura uma formação de plantas vigorosas, e consequentemente maior produtividade final da produção, e produtividade é o que interessa a nós produtores rurais.

Infelizmente, todo este conhecimento que vem desde a era da pedra, conhecimento que todo técnico e engenheiro agrônomo aprendeu na sua formação, foi esquecida pelas empresas produtoras/multiplicadoras de tecnologia das cultivares de milho. Na busca por maior resultado “econômico” onde tudo se aproveita, as empresas tem colocado no mercado todo e qualquer tipo de “classificação de sementes de milho” com todo e qualquer padrão…

A cada ano, embora todo produtor rural tenha se programado e feito reservas de sementes junto aos revendedores ainda no período da colheita passada, ou seja, reservado sua semente praticamente um ano antes do próximo plantio, mesmo assim, empresas representantes das produtoras/classificadoras de semente nos alegam a cada ano que se passa,  a velha e conhecida história da “falta de sementes no mercado” … Com isso induzem, e fazem com que os produtores rurais acabem por aceitar e receber sementes de ponteiro de espigas (sem o devido padrão de uniformidade das sementes), do contrário correm o risco de não receber sementes para o plantio das suas lavouras.

Todo produtor rural deste país sabe e sofre as consequências da “falta de sementes” a cada ano.

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As consequências da “falta de sementes” leva a perdas, e não adianta, mesmo que se busque no mercado o disco de sementes mais adequado para cada tipo de semente que se recebe, mesmo que se realize todo processo de plantio, com todos os cuidados na regulagem da plantadeira, mesmo que se mantenha a velocidade do trator recomendada na execução do plantio em todo o seu percurso, o produtor rural não esta conseguindo obter um stand de plantas adequado quando se planta sementes de ponteiro de espigas…

Não esta conseguindo devido a falta de padrão das sementes que acaba por aceitar, sempre entregues já às véspera da hora de plantar, e dado a época, se obriga a plantar sementes DESCLASSIFICADAS, e nestes casos (que não são poucos), ao se deparar com o resultado do plantio, na hora em que as plantas germinam, o produtor rural, mesmo que tenha regulando a maquina, mesmo buscando usar do disco de semente mais adequado, mesmo perfazendo o trajeto de plantio com a velocidade do trator dentro do recomendado, vai se deparar com um stand de planta por metro linear totalmente fora do recomendado tecnicamente.

No caso das imagens a seguir, a regulagem de plantio foi feita para se ter ao longo da linha de plantio um stand de plantas regular por metro linear (ao máximo três plantas por metro) no caso desta lavoura…

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Na verdade o que se obteve de resultado ao longo das linhas são partes com stand adequado, ou seja ao máximo três plantas por metro linear conforme imagem acima, e na mesma linha de plantio, metros sem plantas alguma, ou até pior, conforme resultado que se vê abaixo, se tem um stand de planta muito superior ao que se esperava, chegando a cinco até seis sementes em um metro linear.

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O stand irregular e inadequado de plantas que se vê acima é comum em praticamente todas as lavouras do nosso BRASIL, e não adianta reclamar junto aos fornecedores e técnicos responsável, porque o produtor já sabe o que vai ouvir ao indagar principalmente os profissionais de cada empresa produtora de sementes, a desculpa de todos é uma só “velocidade de plantio superior ao recomendado, e ou, disco inadequado para o tamanho das sementes”… 

Ano após ano, todos nós produtores de milho estamos sofrendo as consequências, comprometendo a produtividade por falta de padrão das sementes que chegam até  as propriedade para plantarmos…

Esta na hora de cobrarmos…. Ou as instituições de FISCALIZAÇÃO dos produtores de sementes “CLASSIFICADAS” passam a FISCALIZAR, e ou teremos, na hora de realizarmos simplesmente as chamadas RESERVA de sementes, devemos efetivar um CONTRATO DE PADRÃO DAS SEMENTES a serem entregues a nós produtores rurais na hora do plantio da próxima safra.

O que não devemos mais é admitir PAGARMOS o que pedem pelo preço das sementes de milho, e de ultima hora nos obrigar a plantar sementes de ponteiro, fora de padrão, coisa que nem nossos antepassados faziam, e NÃO faziam porque sabiam que stand de plantas tem que ser uniforme e adequado, grãos de milho destinados a sementes tem que ser CLASSIFICADA… Algo que esta cada vez mais difícil de encontrar no mercado de sementes.

Implantar uma lavoura com stand de plantas INADEQUADO, quem perde não é tão somente o produtor rural, quem perde é o município, quem perde é o estado, quem perde é o País… Tudo por falta de FISCALIZAÇÃO, e na desculpa da “falta de sementes”, o produtor rural esta plantando “sementes de milho” que mais parecem grãos de pipoca.

Por Valdir Edemar Fries – Produtor rural em Itambé – Paraná.

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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