OS CAMINHOS DA EROSÃO EM MEIO A CHAMADA “AGRICULTURA DE PRECISÃO”.

Ao longo das ultimas décadas a tecnologia tem proporcionado grandes facilidades aos produtores rurais. Maquinas de maior porte, equipadas com tecnologias de informática cada vez mais avançada, desenvolvidas e disponibilizadas aos produtores rurais para realizarem as operações de plantio, correção e fertilização do solo, tratos culturais e colheita com mais eficiência e eficácia.

Toda esta estrutura tecnológica de maquinas e equipamentos quando adquirida de forma planejada e utilizadas/aplicada em conformidade as condições físicas de cada propriedade, seguindo as orientações técnicas/agronômicas, certamente o produtor rural estará fazendo uso de uma tecnologia de precisão, e estará, no curto, no médio e ao longo prazo colhendo os resultados dos investimentos feitos em maquinas e equipamentos.

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A pesquisa agronômica ao longo da história do desenvolvimento agropecuário, já confirmou na prática, registrou e difundiu as boas maneiras de se cultivar as lavouras proporcionando ao solo ter cada vez mais estrutura, e consequentemente aumento da produtividade.

Porém muitos dos produtores rurais, e até mesmo os técnicos responsáveis por determinadas lavouras, NÃO tem dado valor ao solo, e nem mesmo à água das chuvas que as propriedades recebem, mesmo sabendo que o maior patrimônio que temos, e se tem repetido milhares de vezes, ao que sabemos são os dois fatores de produção, solo, e a água.

Tomados pela chamada “agricultura de precisão” técnicos e agrônomos tem vedado os olhos e se calado diante de produtores rurais que estão realizando inúmeras praticas de cultivo, tratos culturais e colheita de forma totalmente IMPRECISA.

Todo aquele sistema de conservação do solo implantado nas propriedades, todo sistema integrado com as estradas rurais, e toda estrutura do próprio solo é colocada a perder quando se desafia a natureza.

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Imagens como esta primeira vistas acima, é possível observar junto às margens de muitas estradas, são sulcos de erosão provocados pelo rodado das maquinas (ao contrário do recomendado tecnicamente), o produtor deixa de realizar as operações seguindo o traçado em nível (acompanhando o sistema de terraceamento do terreno) para realizar as operações de mecanização agrícola desafiando a topografia do terreno, subindo e descendo morro e cochilhas.

Resultado disto tudo, já podemos ver hoje e prever para o futuro, solo cada vez mais degradado, estradas que tão embora se tenha um sistema integrado de conservação com as propriedades, o sistema não comporta armazenar toda água, e toda esta água certamente, em algum dos trechos, vai provocar estragos cada vez maior…

janeiro 2013 021

 

A chamada “agricultura de precisão”, desenvolvida por muitos dos produtores rurais esta longe de ser PRECISA, e esta provocando ao longo dos períodos de chuvas, estradas cada vez mais danificadas pela erosão da malha viária, rios cada vez mais barrentos e consequentemente com seu leito mais assoreados, sem falar nas enchentes que já voltam a arrastar bueiros, danificar pontes e interditar estradas e rodovias…

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O solo e a água sempre foi, e sempre serão os elementos principais na garantia da produção de alimentos, o solo e a água são nossos maiores patrimônios… Sendo assim, muitos dos responsáveis técnicos da área agronômica devem repensar o que estudaram e o que andam recomendando, para não levar determinados  produtores rurais a praticar uma “agricultura de precisão” totalmente imprecisa e destruidora.

Por Valdir Edemar Fries – Produtor rural em Itambé – Estado do Paraná.

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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