A EUFORIA DOS PREÇOS EM MEIO A CRISE ECONÔMICA, E CRISE DE ABASTECIMENTO INTERNO.

No mercado globalizado, ganha quem se protege. Seja qual for a atividade de produção agropecuária, o planejamento administrativo é fundamental para garantir a viabilidade econômica de cada uma das atividades exploradas na propriedade rural.

“QUEM NÃO SABE O QUANTO GASTA, NÃO SABE O QUANTO GANHA” … Este foi o lema de uma grande campanha de administração rural realizada pela EMATER – PARANÁ ainda nos anos 80. Na época fomos a campo para alertar os produtores quanto a importância do planejamento administrativo na exploração de cada atividade rural. (Digo “fomos” porque neste período dos anos 80, particularmente fiz parte do quadro de técnicos extensionistas EMATER-PR).

Talvez seja este o lema que devemos trazer para a atualidade, “QUEM NÃO SABE O QUANTO GASTA, NÃO SABE O QUANTO GANHA” … Até porque, diante do mercado globalizado, em muitos dos casos, NÃO podemos ficar a merce das oscilações de preços das commodities, uma vez que ao saber o quanto gastamos, primeiro passo a ser dado é a recuperação dos recursos financeiros aplicados no custeio de cada exploração agropecuária e assim garantir os insumos necessários para o futuro da atividade. A exploração agropecuária NÃO TEM ESPAÇO PARA AVENTUREIROS, sendo assim, em determinadas épocas e em muitos casos, o melhor que se tem a fazer é “deixar de ganhar para não acabar perdendo”.

Faço aqui uma observação para lembrarmos do mercado ressente… Parece que foi ontem, mas já se passaram praticamente dois anos em que o produtor de soja tinha no mercado internacional o seus 14.5 dólar por bushel, também no milho tínhamos cotações acima dos 6.5 dólar por bushel. Mesmo assim muitos produtores rurais, levados pela demanda anunciada (muitos inclusive orientados por certos analistas de mercado que apostavam num patamar de preços internacionais ainda maior, e usavam como fator o aumento da demanda de mercado, sem se quer consider os estoques da época).

Tantos e tantos produtores rurais simplesmente deixaram de vender sua produção no patamar de preços do período, com o passar dos dias, diante da necessidade de caixa, por fim, acabaram por amargar um mercado internacional de soja que chegou a ficar abaixo dos 9.0 dólar por bushel para a soja e abaixo de 3.5 dólar para o milho.

Em meio a baixa dos preços internacional, e a crise econômica a nível nacional, o produtor rural que tinha acreditado na alta dos preços internacionais cerca de dois anos atrás, meses depois foram SALVOS pela valorização do dólar perante o real.(Vale registrar que se não fosse a desvalorização do real, a inadimplência era tido como certa).

O período foi mesmo de reviravolta.

Esta desvalorização do real perante o dólar não salvou apenas os produtores de soja e milho, mas viabilizou o aumento das exportações de carnes e seus derivados, fazendo com que o setor produtivo de suínos e aves investissem no aumento da produção sem qualquer planejamento.

Ou seja, ao tempo em que os produtores de suínos e aves investiam no aumento de seus plantéis, por outro lado, eufóricos com as cotações dos preços internos de soja, e diante dos baixos preços e os altos estoques de milho após a segunda safra de 2015 (a chamada safrinha), estes mesmo produtores de suínos e aves das regiões do oeste/sudoeste do Paraná, Centro/oeste de Santa Catarina e partes do Rio Grande do Sul, simplesmente deixaram de plantar milho, principal produto da matéria prima da alimentação de seus plantéis.

Ao contrário dos anos anteriores ao invés de plantarem milho na safra de verão 2015/2016 acabaram mudando o cenário do seu meio e rodearam suas granjas de suínos e aves com o plantio de soja. Hoje estes mesmos produtores amargam os custos no preço da ração, que a depender do clima, ainda irão precisar de um bom tempo para recuperar o abastecimento de milho no mercado.  

Todo produtor sempre almeja produzir cada vez mais, para tanto todo produtor deve se preocupar primeiro em garantir os seus insumos necessário para dar continuidade a tudo que venha a explorar, seja qual for a sua atividade no meio rural.

Até porque sabemos que NUNCA teremos estabilidade, enquanto o poder público não implantar uma politica agropecuária pensando em termos de BRASIL… Parece dificil, mas é o que precisamos, precisamos sim de uma politica agropecuária que venha a garantir não só a produção, mas também a renda e a logística de abastecimento, do contrário estaremos sempre em meio a uma crise e outra.

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Sendo assim amigos, para viabilizar a produção de cada atividade rural e sobreviver da atividade, nos resta a voltar tempo e relembrar do lema da campanha de administração rural protagonizada nos anos 80… “QUEM NÃO SABE O QUANTO GASTA, NÃO SABE O QUANTO GANHA”.

Por Valdir Edemar Fries.

Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. Vereador em Itambé - 97 a 2000. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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