VIABILIZAR A TERCEIRA SAFRA, UMA QUESTÃO DE PLANEJAMENTO, ALIADO AO CLIMA E A TECNOLOGIA.

São muitas a regiões agrícolas Brasileira que buscam consolidar a terceira safra ano da produção agropecuária numa mesma área de terra.

O desafio maior para se viabilizar a produção de três safras ano, fica por conta das áreas NÃO irrigadas, uma vez que, acima de toda tecnologia a ser empregada, o produtor rural deve estar muito atento ao fator climático. Desafio este que pode ser superado em partes, quando se busca acompanhar as previsões climáticas futuras, que apesar de se tratar de “previsões”, pode nos sinalizar a oportunidade de se planejar para a implantação da terceira safra de grãos, e a partir dai, realizar todo processo para se viabilizar a terceira safra, até porque tudo se inicia ainda na implantação da primeira safra… Possibilidades existem, se planejado for :  http://www.canalrural.com.br/videos/mercado-e-cia/parana-inicia-plantio-soja-74297

Imagem da área experimental de cultivares de soja para definir qual se adpta melhor ao plantio mais antecipados, ou seja, soja plantado ainda na primeira quinzena de setembro – safra 2016/17:

Embora não se tenha muito subsidio técnico divulgado pela pesquisa em relação a viabilidade da terceira safra em áreas não irrigadas, produtores rurais do sul do pais já vem buscando alternativas de cultivo, e de tecnologias mais adequadas para se viabilizar a produção. Para tanto, os próprios produtor vem realizando ao longo dos últimos anos o cultivo de áreas experimentais em suas propriedades, com o objetivo de se obter subsídios técnicos, informações que vão desde o ciclo da cultivar de cada cultura, da época/janela de plantio mais apropriada, manejo dos tratos culturais e tecnologia operacional mais apropriada para cada cultura implantada.

No Brasil, quando da realização de de duas safras ano, muitas regiões tem a opção do cultivo de trigo e/ou feijão na sequência da safra verão, outras menos favoráveis a estas culturas, ainda ao longo da década de 80 e 90, na busca por alternativas, os produtores investiram na cultura do milho, graças a iniciativa e insistência de muitos produtores rurais, hoje  o Governo Brasileiro reconhece e já consolidou a chamada “SAFRINHA DE MILHO” em sua SEGUNDA SAFRA…

Imagem colheita de milho segunda safra 2017:

Ao longo dos tempos, muito se investiu no desenvolvimento de tecnologias, e é através do uso de toda tecnologia das cultivares de soja e milho e do sistema de plantio empregado na lavoura, que tem possibilitado ao produtor rural realizar a colheita da sua segunda safra ainda no final de maio/inicio de junho, abrindo assim um período de 90 a 140 dias de entre safras, o que possibilita mais uma “janela” de plantio… Mais um espaço de tempo suficiente para se viabilizar a TERCEIRA SAFRA, tendo como opção do cultivo de lavouras como a de trigo, de aveia, e/ou a braquiária visando a integração lavoura/pecuária, e, ou mesmo a braquiária como cobertura e melhoria da estrutura física do solo.

Imagem da cultura do trigo terceira safra, semeado e já sobressaindo em meio a resteva da palhada de milho da segunda safra 2017 (safrinha).

BENEFÍCIOS DE UMA TERCEIRA SAFRA: Em especial no Estado do Paraná, muitos produtores rurais tem optado pelo cultivo do trigo como uma das opções na terceira safra, o simples fato de se realizar a cobertura do solo com a cultura do trigo,e ou outra cultura, o cultivo da terceira safra se viabiliza tecnicamente através dos benefícios da cobertura do solo no período de entre safras, propiciando melhor estrutura física e química do solo, e também por estarmos proporcionando melhores condições de operacionalizar da implantação do próximo plantio da lavoura de soja no ano vindouro.

Quanto aos resultados diretos em termos economicos, muito a de se percorrer, mas possibilidades existem.

ENTRAVEIS EXISTENTES NA TERCEIRA SAFRA: O período desta “janela” de plantio da terceira safra ainda é muito restrito, e em muitas regiões só é possível se viabilizar, desde que o plantio da cultura da soja na primeira safra se inicie ainda na primeira quinzena do mês de setembro. Ou seja, se tratando de algumas regiões, a exemplo do Estado do Paraná, devido a regulamentação do VAZIO SANITÁRIO, que proíbe a existência de plantas de soja emergidas antes de 15 de setembro, o produtor rural esta impedido de iniciar o plantio ainda nos primeiros dias de setembro, mesmo que em determinados anos se tenha as condições climáticas favoráveis para iniciar o plantio já nos primeiros dias de setembro, como foi o caso do plantio no ano de 2016, o produtor teve que esperar pelo fim do vazio sanitário, podendo iniciar o plantio somente por volta do dia 11 de setembro, conforme relatamos na época –   (https://valdirfries.wordpress.com/2016/09/05/vazio-sanitario-da-soja-enquanto-o-paraguai-planta-o-brasil-espera/).

A probabilidade de se consolidar a viabilidade técnica e econômica de uma terceira safra, como aconteceu com o cultivo do milho já consolidado na segunda safra em diversas regiões Brasileira, a terceira safra ainda tem muitos fatores a se definir, tão embora o produtor rural esteja disposto e vem investindo para que isso ocorra, o Governo como um todo ainda esta muito alheio ao assunto, e nada ou quase nada tem investido em pesquisa, e muito menos atenção é dada por parte dos Governantes quando se busca tratar de assuntos relacionados, como é o caso da questão de se flexibilizar o período do vazio sanitário da soja, para se viabilizar uma janela de plantio mais adequada para implantação de uma terceira safra.

O produtor rural tem feito sua parte, tem investido e busca agora sensibilizar o Governo para que se altere a portaria que regulamenta o vazio sanitário, no caso do Paraná, a portaria  193/2015 que regulamenta o período, e para tanto, produtores do Oeste e Noroeste já estão questionando e se mobilizando para antecipar 0 período do vazio sanitário, estabelecendo o período entre os dias primeiro de junho a 31 de Agosto, possibilitando, a depender das condições climáticas de cada ano, viabilizar a implantação da terceira safra ano, em uma mesma área de terra.

Por Valdir Edemar Fries – Produtor rural em Itambé – Pr.

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Sobre valdirfries

Téc. Agropecuário - 1980. Extensionista Rural da ACARPA/EMATER-Pr entre os anos 1981 a 1987, com serviços prestados nas regiões de UNIÃO DA VITÓRIA, CURITIBA, PATO BRANCO. Na região de MARINGÁ trabalhou mais especificamente na RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SOLO E ÁGUA - responsável téc. a nível de campo na implantação da adequação das estradas rurais nos municípios de FLORESTA E ITAMBÉ - Pr, concluindo os trabalhos do sistema de microbacias integradas em 100 % da área territorial dos dois municípios). PLANEJAMENTO E ASSESSORIA AGROPECUÁRIA - 1987 a 1996 em áreas do Estado do Paraná e do MATO GROSSO (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso). Secretário de agricultura e meio ambiente de Itambé - Paraná de 88 a 1996. PLANEJAMENTO E ASSESSORIA PÚBLICA a partir de 1996, Com especialização na elaboração de planos de trabalho dos programas de governo; SICONV; De 1997 a 2010 realizou o acompanhamento e tramitação de processos de convênio de Municípios Paranaense junto aos Ministérios de Estado em Brasilia. Produtor Rural - Itambé Pr, a partir de 2008 tem se dedicado principalmente nas atividades da produção agrícola e na edição de artigos relacionados ao AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
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